Como transformar a profissão no Brasil em visto para os EUA

Como a profissão pode abrir portas para brasileiros trabalharem nos EUA

O mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou a criação de cerca de 162 mil vagas fora do setor agrícola em agosto, apontando para uma forte recuperação econômica. Esse cenário desperta o interesse de muitos brasileiros que desejam construir uma nova vida no exterior, levantando um questionamento comum: é viável utilizar a carreira desenvolvida no Brasil como passaporte para o território norte-americano?

A resposta para essa transição internacional é positiva. Diferente do que muitos pensam, as oportunidades não se limitam exclusivamente a médicos, dentistas, engenheiros ou profissionais de tecnologia.

O papel do planejamento na imigração

A trajetória acadêmica, a experiência profissional e o reconhecimento conquistado ao longo dos anos podem ser fundamentais em um processo migratório. Com uma assessoria especializada voltada à emissão de vistos e planejamento, brasileiros conseguem estudar, empreender, trabalhar ou buscar a residência permanente no país.

De acordo com o advogado e especialista em direito imigratório Gabriel Ahid Costa, diferentes profissões encontram espaço na legislação americana, desde que atendam rigorosamente aos critérios da categoria pretendida.

“Tem algumas profissões que, de alguma forma, estão numa certa prateleira de preferências, mas qualquer profissão é possível de ter uma aprovação, desde que a gente consiga encaixar os requisitos do visto. Por isso, é necessário que essa pessoa tenha uma consultoria especializada para que o caminho seja mais tranquilo”, reforça o especialista.

Áreas em destaque e o perfil profissional

Embora exista uma dezena de vistos temporários e permanentes disponíveis, as áreas ligadas a STEM — ciência, tecnologia, engenharia e matemática — recebem maior holofote. Isso inclui engenheiros de software, especialistas em computação, profissionais de inteligência artificial, cibersegurança e biotecnologia, além de profissionais da saúde.

Ainda assim, as oportunidades vão muito além desses setores tradicionais. Habilidades comuns e qualificações avançadas também entram no radar dos avaliadores migratórios.

“Às vezes, essa pessoa acha que é uma profissional que está dentro de uma linha ordinária, de uma linha comum. E, na verdade, a gente tem elementos para encaixá-la como extraordinária. Por isso, a análise especializada busca organizar as evidências da trajetória profissional e relacioná-las aos critérios da categoria escolhida”, reforça o especialista.

Validação de diplomas e o peso do idioma

Para atuar legalmente, a validade da formação obtida no Brasil exige atenção. Profissões regulamentadas podem demandar licenciamentos específicos e a chamada Credential Evaluation, processo que compara diplomas estrangeiros aos padrões educacionais americanos.

No quesito comunicação, o domínio do inglês gera debates frequentes entre os candidatos. Embora a lei não exija o idioma de forma normativa, a fluência faz diferença na prática.

“Do ponto de vista legal, você não vai encontrar uma regra que diga que o inglês é um requisito para um desses vistos. Porém, o que a gente tem observado no dia a dia é que as etapas de entrevistas, em uma fase específica desses vistos, têm sido feitas em inglês. Então, se você já está pensando em ir para os Estados Unidos, já comece a refinar, a se preparar, porque isso vai ser essencial na desenvoltura do seu processo em si”, disse o especialista.

Categorias de vistos mais comuns

O trabalho de consultoria avalia o grau de maturidade do candidato e alinha seu histórico às regras locais.

“É na consultoria que avaliamos, a partir das características do candidato, da sua trajetória, do que já realizou e desenvolveu, qual é o seu grau de maturidade para um processo migratório. A partir disso, analisamos se os requisitos que ele já reúne podem ser organizados dentro de alguma das categorias de visto previstas para os Estados Unidos e se já existe base suficiente para estruturar e preparar um pedido de visto”, explica.

Entre as principais categorias avaliadas estão o EB-2 NIW para profissionais com grau avançado ou habilidade excepcional, o EB-1A e o O-1A para habilidades extraordinárias, o L-1A para transferência de gestores, além de vistos estudantis e de turismo.

Erros que podem comprometer o processo

A pressa, a carência de registros e a tentativa de forjar um currículo de última hora estão entre os principais erros cometidos por quem deseja imigrar. Documentar a carreira por meio de publicações, palestras e premiações é indispensável para comprovar o mérito profissional.

“Não basta ser um bom profissional se toda essa trajetória permanece restrita ao âmbito privado. É importante construir registros, dar visibilidade ao trabalho desenvolvido e participar de espaços relevantes da área de atuação. Esse conjunto de evidências contribui para demonstrar, de forma objetiva, o posicionamento e o reconhecimento profissional da pessoa”, conclui.

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